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quarta-feira, 3 de abril de 2013

.auto-suficiente, autosuficiente ou autossuficiente?

Imagem encontrada AQUI.
 
Encontrei este título na versão online (AQUI) do Jornal de Notícias de hoje:

Só em vinho é que somos autosuficientes
No desenvolvimento do artigo era dito que “Portugal apresenta um grau de autosuficiência alimentar de 81%”, o que me deixa a convicção de que não se trata de uma gralha. Acrescento que este jornal aplica o Novo Acordo Ortográfico.

Analisemos a questão ponto por ponto.
1. Segundo o Acordo de 1945 (Formulário de 1943 para o Brasil), a regra dizia que, com o prefixo auto, havia hífen antes de vogal, h, r e s. Logo, o correto era escrever auto-suficiente.
2. Considerando que o JN adotou o AO90, vamos à nova regra, na Base XVI, ponto 2. a): Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s, devendo estas consoantes duplicar-se, prática aliás já generalizada em palavras deste tipo pertencentes aos domínios científico e técnico. Assim: antirreligioso, antissemita, contrarregra, contrassenha, cosseno, extrarregular, infrassom, minissaia, tal como  biorritmo, biossatélite, eletrossiderurgia, microssistema, microrradiografia.
Aplicando a regra, temos de passar a escrever autossuficiente! “Autosuficiente” é uma aplicação incorreta das novas regras. Não se escreve nem se escrevia assim.

Conclusão:
A grafia actual é autossuficiente!

Comentário:
Há quem indique esta regra como uma prova de que o AO desfigurou a língua portuguesa. Neste caso, não se justifica a crítica. Este tipo de aglutinação não é novo (sobretudo no campo científico). Já escrevíamos biorritmo, biossatélite, fotossíntese, morfossintaxe, etc. Há uma grafia bem mais estranha que todos conhecemos: girassol. Não são as comuns as aglutinações verbo+nome. Com o AO, temos mais dois casos a juntar à lista: mandachuva e paraquedas (e respetivos derivados) No entanto, o Portal da Língua Portuguesa e Academia Brasileira de Letras leem de forma diferente o texto do Acordo em relação a estas duas situações: por cá, admitem-se também as variantes com hífen (manda-chuva e para-quedas); no Brasil, o VOLP só regista as grafias aglutinadas. Consultando as observações postas a seguir ao ponto 1. da Base XV do AO, tenho de concordar com a aplicação feita pela Academia Brasileira: “Obs.: Certos compostos, em relação aos quais se perdeu, em certa medida, a noção de composição, grafam-se aglutinadamente: girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedista, etc.
Esclarecedor!

Como não somos autossuficientes nos afetos, segue, como sempre, o meu abraço.
AP
 


2 comentários:

  1. Excelente comentário. Muito corretamente exemplificado, especialmente com os vocábulos oirundos do meio científico.

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  2. muito obrigado pelos esclarecimentos! abraços

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