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sábado, 7 de fevereiro de 2015

co-organizar OU coorganizar?


Segundo as regras ortográficas de 1943 (Brasil) e de 1945 (Portugal), o prefixo co tinha algumas particularidades que o distinguiam de todos os outros. Escrevíamos co-pilotar, co-gerir e co-redigir  a par de cooperar, cooperar e coobar (destilar várias vezes). A diferença de tratamento teria a ver com o facto de em latim algumas destas palavras serem aglutinadas (cooperāre, coordināre e cohobāre).

Com o Novo Acordo Ortográfico, este prefixo continuou a ter um tratamento especial: procurando simplificar e unificar as normas do português (luso-africana e do brasileira) o hífen foi suprimido em todos os casos, exceto antes de h. No entanto, a Academia Brasileira de Letras, contrariamente o que está escrito no AO90, decidiu que com co nunca há hífen, com o argumento de que já escrevíamos, por exemplo, coabitação (do latim cohabitatione). Sem dúvida que simplificou, mas também criou uma divergência, quando o que se pretendia era a convergência…

RESPOSTA:
PORTUGAL
BRASIL
coorganizar
*Antes escrevia-se co-organizar.
Só há hífen antes de h: co-herdar e co-herdeiro.
Sempre sem hífen: coerdar e coerdeiro.
Nota: Com o AO90, a regra geral determina que há sempre hífen quando a letra com que termina o prefixo é igual à que inicia o segundo elemento: micro-ondas (antes microondas), anti-ibérico, sub-bibliotecário, super-requintado, etc.
Como vimos, co- é uma exceção, mantendo-se outros casos que já tínhamos como re- (reeditar) e des- (dessincronizar).

Abraço e bom fim de semana onde quer que estejam!
AP
Imagem encontrada AQUI.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

arco-da-velha OU arco da velha?

 
Grande parte das dúvidas em relação à aplicação do Novo Acordo Ortográfico têm a ver com o uso do hífen. As regras sempre foram complicadas, tendo o AO90 procurado a sua sistematização e simplificação. O objetivo foi parcialmente conseguido, uma vez que se mantiveram exceções desnecessárias. Vejam-se estes exemplos: cor-de-rosa a par de cor de limão e arco-da-velha a coexistir com arco da chuva. Em Portugal, admitem-se as grafias "cor de rosa" e "arco da velha”. Compreende-se o desejo de simplificar, mas deu-se um tiro no pé da unificação, criando-se divisões onde elas não existiam, uma vez que o VOLP da Academia Brasileira de Letras apenas admite (e bem!) cor-de-rosa e arco-da-velha, respeitando com rigor o texto do AO.
RESPOSTA:
PORTUGAL
BRASIL
arco-da-velha
 
Mas também  arco da velha
 
apenas arco-da-velha
Nota: Esperemos que a publicação do Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa ponha um ponto final nestes pequenos “desvios”...
 
Sobre o assunto, encontrei esta informação:
Após um período em que a plataforma esteve aberta para consulta pública (abril a julho de 2014) e na sequência da aprovação política, em julho de 2014, está em curso a integração no VOC dos dados entregues e aprovados pelos estados-membros da CPLP. Até ao final de 2014, o VOC integrará esses dados, substituindo os instrumentos de âmbito nacional existentes nos países participantes e permitindo que todos os falantes e estudantes da língua portuguesa tenham acesso livre a recursos oficiais comuns para aplicação das regras ortográficas.” (http://www.iilp.cplp.org/voc/)
Enquanto não vem o VOC, fica o meu abraço sem hífenes nem exceções!
AP

Imagem encontrada AQUI.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

outdoor OU... autedor?


Quando deparei com o cartaz reproduzido na imagem, assumi que a grafia “autedor” seria uma adaptação criativa da palavra inglesa outdoor ao nível, por exemplo, de nocaute (aportuguesamento dicionarizado, em Portugal e no Brasil, de knockout).
Resolvi investigar nos dicionários portugueses e brasileiros e nos vocabulários da Academia Brasileira de Letras e do Portal da Língua Portuguesa (português europeu).

CONCLUSÕES:
GRAFIAS
PORTUGAL
BRASIL
outdoor
Registada m todas as fontes.
Registada no Aulete Digital, no Dicionário Online do Português e nos jornais brasileiros.
autedor
Nada está registada.
Não está registada.
 
 
GRAFIA CORRETA:
outdoor (estrangeirismo), podendo optar por cartaz ou painel.
 
                                                                                                          
MAS:
Ao abrigo das cláusulas de salvaguarda contempladas nas reformas ortográficas, as empresas podem ser criativas nas designações que adotam (neste caso, a grafia adaptada AUTEDOR):
Para ressalva de direitos, cada qual poderá manter a escrita que, por costume ou registo legal, adote na assinatura do seu nome.
Com o mesmo fim, pode manter-se a grafia original de quaisquer firmas comerciais, nomes de sociedades, marcas e títulos que estejam inscritos em registo público.” (Base XXI do Novo Acordo Ortográfico)

Abraço.
AP

HISTÓRIA
Pode-se dizer que antigamente, pela falta de tecnologia, o outdoor foi um dos primeiros modos de divulgação de produtos, ideias e serviços. (…) Na Roma Antiga, a propaganda já era mais próxima do nosso atual cartaz mural: retângulos divididos por tiras de metal eram instalados sobre muros e pintados de cores claras, onde qualquer interessado poderia escrever - com carvão - mensagens de venda, compra ou troca de mercadorias.

domingo, 18 de janeiro de 2015

bóia OU boia?




Antes da entrada em vigor do Novo Acordo Ortográfico, a regra era acentuar, tanto em Portugal como no Brasil, o ditongo aberto oi das palavras paroxítonas (graves): heróico, jibóia, jóia. No entanto, por “falta de pronúncia uniforme”, dispensava-se o acento nalgumas palavras como dezoito (com pronúncia fechada no Norte, como acontece no Brasil, e aberta no Sul), comboio e boina.
E com o Novo Acordo Ortográfico, como ficou esta regra?

RESPOSTA:
Passou a escrever-se boia!
NOVA REGRA:
Não se acentuam graficamente os ditongos representados por ei e oi da sílaba tónica das palavras paroxítonas (graves), dado que existe oscilação em muitos casos entre o fechamento e a abertura na sua articulação: assembleia, boleia, ideia (em Portugal já era assim com o ditongo ei desde 1945), paranoia, estroina, heroico, introito, jiboia, etc.
Base IX, nº 3.
Nota: Mantém-se o acento no ditongo aberto oi das palavras oxítonas (agudas): herói, mói, rói, etc.

Abraço.
AP

sábado, 10 de janeiro de 2015

No Brasil, é correto dizer FACTO em vez de FATO?


Uma das diferenças mais marcantes entre o português do Brasil e o português europeu é ouvirmos os brasileiros dizerem fato, algo que estranhamos muito, pois por cá dizemos sempre facto.
Segundo as regras, em Portugal a única grafia correta é facto e o Novo Acordo Ortográfico não nos tirou aquele c, ao contrário do que alguns erradamente dizem.

E no Brasil, como é? A única forma correta é fato?

Embora o Novo Acordo nada tenha alterado nesta palavra e o Formulário Ortográfico de 1943 seja omisso em relação ao assunto, os órgãos oficiais da língua portuguesa do Brasil (Academia Brasileira de Letras) e de Portugal (Portal da Língua Portuguesa) estão de acordo: no Brasil, pode dizer-se facto e fato. Sendo verdade que a grafia usada é fato, qualquer falante poderia legitimamente usar a variante facto.

CONCLUSÃO:
PORTUGAL
BRASIL
facto
fato (grafia usada)
e
facto (grafia também correta)
É caso para dizer que contra fa(c)tos não há argumentos!

Abraço.
AP

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

herói OU heroi?

 
Com base nas alterações introduzidas na acentuação pelo Novo Acordo Ortográfico, há quem tenha suprimido o acento no ditongo “oi” em todas as palavras, passando a escrever, por exemplo, “herói”.

Está correta tal aplicação?
Vejamos o que diz o texto do Novo Acordo Ortográfico:
Base VIII, nº 1 d):
Acentuam-se com acento agudo (…) as palavras oxítonas com os ditongos abertos grafados -éi, éu ou ói, podendo estes dois últimos ser seguidos ou não de –s
Base IX, nº 3:
Não se acentuam graficamente os ditongos representados por ei e oi da sílaba tónica das palavras paroxítonas”.

CONCLUSÃO:
Mantém-se a grafia herói (como dói, mói, corrói, etc.)
Nota: Só houve alteração nas palavras graves (paroxítonas): heroico, paranoico, jiboia, etc.

Abraço.
AP
Imagem encontrada AQUI.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

.rã-tomate OU rã tomate?


Esta rã, como quase todas as rãs, vive em charcos e pântanos e alimenta-se de insetos.
No entanto, tem duas particularidades: existe apenas na ilha de Madagáscar e tem uma cor (entre o laranja e o vermelho) que faz lembrar o tomate e serve de aviso aos predadores para que não tenham a tentação de ver nela um snack pronto a consumir…
Quanto à questão linguística, deve ou não haver hífen na designação do simpático anfíbio?

RESPOSTA:
A grafia correta é rã-tomate!
Esta é uma regra clara do AO90, BASE XV, nº 3:
Emprega-se o hífen nas palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas”.
Exemplos:
bem-te-vi-de-cabeça-cinza, macaco-prego-do-peito-amarelo, espinafre-da-nova-zelândia, feijão-mulatinho-de-sementes-graúdas.
Nota: Embora tanto o Formulário Ortográfico de 1943 (Brasil) como o Acordo Ortográfico de 1945 (Portugal) sejam omissos em relação a estes compostos, não tendo uma regra específica que se lhes aplique, a prática seguida (não sei se a 100%) já era hifenizar os nomes das espécies.

Abraço e bom resto de feriado (em Portugal).
AP
Imagem encontrada AQUI.
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