SEGUIDORES

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

arco-da-velha OU arco da velha?

 
Grande parte das dúvidas em relação à aplicação do Novo Acordo Ortográfico têm a ver com o uso do hífen. As regras sempre foram complicadas, tendo o AO90 procurado a sua sistematização e simplificação. O objetivo foi parcialmente conseguido, uma vez que se mantiveram exceções desnecessárias. Vejam-se estes exemplos: cor-de-rosa a par de cor de limão e arco-da-velha a coexistir com arco da chuva. Em Portugal, admitem-se as grafias "cor de rosa" e "arco da velha”. Compreende-se o desejo de simplificar, mas deu-se um tiro no pé da unificação, criando-se divisões onde elas não existiam, uma vez que o VOLP da Academia Brasileira de Letras apenas admite (e bem!) cor-de-rosa e arco-da-velha, respeitando com rigor o texto do AO.
RESPOSTA:
PORTUGAL
BRASIL
arco-da-velha
 
Mas também  arco da velha
 
apenas arco-da-velha
Nota: Esperemos que a publicação do Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa ponha um ponto final nestes pequenos “desvios”...
 
Sobre o assunto, encontrei esta informação:
Após um período em que a plataforma esteve aberta para consulta pública (abril a julho de 2014) e na sequência da aprovação política, em julho de 2014, está em curso a integração no VOC dos dados entregues e aprovados pelos estados-membros da CPLP. Até ao final de 2014, o VOC integrará esses dados, substituindo os instrumentos de âmbito nacional existentes nos países participantes e permitindo que todos os falantes e estudantes da língua portuguesa tenham acesso livre a recursos oficiais comuns para aplicação das regras ortográficas.” (http://www.iilp.cplp.org/voc/)
Enquanto não vem o VOC, fica o meu abraço sem hífenes nem exceções!
AP

Imagem encontrada AQUI.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

outdoor OU... autedor?


Quando deparei com o cartaz reproduzido na imagem, assumi que a grafia “autedor” seria uma adaptação criativa da palavra inglesa outdoor ao nível, por exemplo, de nocaute (aportuguesamento dicionarizado, em Portugal e no Brasil, de knockout).
Resolvi investigar nos dicionários portugueses e brasileiros e nos vocabulários da Academia Brasileira de Letras e do Portal da Língua Portuguesa (português europeu).

CONCLUSÕES:
GRAFIAS
PORTUGAL
BRASIL
outdoor
Registada m todas as fontes.
Registada no Aulete Digital, no Dicionário Online do Português e nos jornais brasileiros.
autedor
Nada está registada.
Não está registada.
 
 
GRAFIA CORRETA:
outdoor (estrangeirismo), podendo optar por cartaz ou painel.
 
                                                                                                          
MAS:
Ao abrigo das cláusulas de salvaguarda contempladas nas reformas ortográficas, as empresas podem ser criativas nas designações que adotam (neste caso, a grafia adaptada AUTEDOR):
Para ressalva de direitos, cada qual poderá manter a escrita que, por costume ou registo legal, adote na assinatura do seu nome.
Com o mesmo fim, pode manter-se a grafia original de quaisquer firmas comerciais, nomes de sociedades, marcas e títulos que estejam inscritos em registo público.” (Base XXI do Novo Acordo Ortográfico)

Abraço.
AP

HISTÓRIA
Pode-se dizer que antigamente, pela falta de tecnologia, o outdoor foi um dos primeiros modos de divulgação de produtos, ideias e serviços. (…) Na Roma Antiga, a propaganda já era mais próxima do nosso atual cartaz mural: retângulos divididos por tiras de metal eram instalados sobre muros e pintados de cores claras, onde qualquer interessado poderia escrever - com carvão - mensagens de venda, compra ou troca de mercadorias.

domingo, 18 de janeiro de 2015

bóia OU boia?




Antes da entrada em vigor do Novo Acordo Ortográfico, a regra era acentuar, tanto em Portugal como no Brasil, o ditongo aberto oi das palavras paroxítonas (graves): heróico, jibóia, jóia. No entanto, por “falta de pronúncia uniforme”, dispensava-se o acento nalgumas palavras como dezoito (com pronúncia fechada no Norte, como acontece no Brasil, e aberta no Sul), comboio e boina.
E com o Novo Acordo Ortográfico, como ficou esta regra?

RESPOSTA:
Passou a escrever-se boia!
NOVA REGRA:
Não se acentuam graficamente os ditongos representados por ei e oi da sílaba tónica das palavras paroxítonas (graves), dado que existe oscilação em muitos casos entre o fechamento e a abertura na sua articulação: assembleia, boleia, ideia (em Portugal já era assim com o ditongo ei desde 1945), paranoia, estroina, heroico, introito, jiboia, etc.
Base IX, nº 3.
Nota: Mantém-se o acento no ditongo aberto oi das palavras oxítonas (agudas): herói, mói, rói, etc.

Abraço.
AP

sábado, 10 de janeiro de 2015

No Brasil, é correto dizer FACTO em vez de FATO?


Uma das diferenças mais marcantes entre o português do Brasil e o português europeu é ouvirmos os brasileiros dizerem fato, algo que estranhamos muito, pois por cá dizemos sempre facto.
Segundo as regras, em Portugal a única grafia correta é facto e o Novo Acordo Ortográfico não nos tirou aquele c, ao contrário do que alguns erradamente dizem.

E no Brasil, como é? A única forma correta é fato?

Embora o Novo Acordo nada tenha alterado nesta palavra e o Formulário Ortográfico de 1943 seja omisso em relação ao assunto, os órgãos oficiais da língua portuguesa do Brasil (Academia Brasileira de Letras) e de Portugal (Portal da Língua Portuguesa) estão de acordo: no Brasil, pode dizer-se facto e fato. Sendo verdade que a grafia usada é fato, qualquer falante poderia legitimamente usar a variante facto.

CONCLUSÃO:
PORTUGAL
BRASIL
facto
fato (grafia usada)
e
facto (grafia também correta)
É caso para dizer que contra fa(c)tos não há argumentos!

Abraço.
AP

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

herói OU heroi?

 
Com base nas alterações introduzidas na acentuação pelo Novo Acordo Ortográfico, há quem tenha suprimido o acento no ditongo “oi” em todas as palavras, passando a escrever, por exemplo, “herói”.

Está correta tal aplicação?
Vejamos o que diz o texto do Novo Acordo Ortográfico:
Base VIII, nº 1 d):
Acentuam-se com acento agudo (…) as palavras oxítonas com os ditongos abertos grafados -éi, éu ou ói, podendo estes dois últimos ser seguidos ou não de –s
Base IX, nº 3:
Não se acentuam graficamente os ditongos representados por ei e oi da sílaba tónica das palavras paroxítonas”.

CONCLUSÃO:
Mantém-se a grafia herói (como dói, mói, corrói, etc.)
Nota: Só houve alteração nas palavras graves (paroxítonas): heroico, paranoico, jiboia, etc.

Abraço.
AP
Imagem encontrada AQUI.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

.rã-tomate OU rã tomate?


Esta rã, como quase todas as rãs, vive em charcos e pântanos e alimenta-se de insetos.
No entanto, tem duas particularidades: existe apenas na ilha de Madagáscar e tem uma cor (entre o laranja e o vermelho) que faz lembrar o tomate e serve de aviso aos predadores para que não tenham a tentação de ver nela um snack pronto a consumir…
Quanto à questão linguística, deve ou não haver hífen na designação do simpático anfíbio?

RESPOSTA:
A grafia correta é rã-tomate!
Esta é uma regra clara do AO90, BASE XV, nº 3:
Emprega-se o hífen nas palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas”.
Exemplos:
bem-te-vi-de-cabeça-cinza, macaco-prego-do-peito-amarelo, espinafre-da-nova-zelândia, feijão-mulatinho-de-sementes-graúdas.
Nota: Embora tanto o Formulário Ortográfico de 1943 (Brasil) como o Acordo Ortográfico de 1945 (Portugal) sejam omissos em relação a estes compostos, não tendo uma regra específica que se lhes aplique, a prática seguida (não sei se a 100%) já era hifenizar os nomes das espécies.

Abraço e bom resto de feriado (em Portugal).
AP
Imagem encontrada AQUI.

sábado, 29 de novembro de 2014

Há uma palavra com CINCO grafias!


Agora que tanto se fala nas duplas grafias que Novo Acordo Ortográfico introduziu, sobretudo em Portugal (uma vez que elas já existiam no Brasil desde o Formulário de 1943), vale a pena olharmos para um caso único na língua portuguesa...
Tínhamos em Portugal situações raras de triplas grafias (como febra, fevra e fêvera). Com a entrada em vigor do AO90, passámos a ter um “penta”… nos dicionários! Quanto ao Brasil, fica como estava: apenas um “tri”...
 
Grafias
  Espaço geográfico
  deíctico   Portugal*
  deítico   Portugal*
  dêictico   Portugal e Brasil
  dêitico   Portugal e Brasil
  díctico   Portugal e Brasil
*Embora o Portal da Língua Portuguesa inclua na lista “Palavras afetadas pelo AOdeíctico e deítico como grafias usadas no Brasil, tanto o VOLP da Academia Brasileira de Letras como os dicionários brasileiros não as registam, pelo que se deve tratar de um lapso do Portal.

Mas afinal o que é um deíctico/deítico/dêictico/dêitico/díctico?
«Palavra cuja significação referencial só pode ser definida em função da situação, do contexto, do locutor e do recetor do ato de fala.» (Ciberdúvidas)
De uma forma mais chã, podemos dizer que este termo da área da linguística tem como objetivo a localização de uma realidade no tempo e no espaço sem a definir. Exemplos: este, esse, aquele, aqui, ali, aí, agora, hoje, ontem, amanhã, etc.
Enfim, perante tais complicações que a gramática tece, faço minhas as palavras do poeta: “Ler é maçada, estudar é nada./ O sol doira sem literatura.” (Fernando Pessoa)

De forma simples, deixo o meu abraço.
AP
Imagem encontrada AQUI.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...