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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

.bem haja OU bem-haja?

Mais um caso de hifenização infernizada! Embora o AO90 tenha introduzido um bom número de alterações nas regras de uso do hífen, neste caso, nada mudou. A “complicação” já vem das reformas de 1943 (Brasil) e de 1945 (Portugal).
Em Portugal e no Brasil, tanto BEM HAJA como BEM-HAJA podem ser usados, mas em contextos diferentes.

REGRA:
BEM HAJA! (exclamação)
BEM-HAJA (nome* masculino)
Exprime gratidão ou reconhecimento, equivalente a “obrigado!”
Forma de agradecimento, equivalente a “obrigado”.
DICA:
Não há artigo antes da exclamação:
BEM HAJA por tudo o que fez por nós!
DICA:
O nome é antecedido de artigo:
Um BEM-HAJA por tudo o que fez por nós!
*No Brasil, substantivo.

Abraço e bem hajam pela vossa amizade!
AP
Imagem encontrada AQUI.

domingo, 12 de outubro de 2014

Mini-mamamaratona OU Minimamamaratona?


No dia que ocorreu, na cidade de Portimão, a Mamamaratona (como um alerta contra o cancro da mama), trago à vossa consideração uma questão linguística: está correta a grafia “Mini Mamamaratona” usada pela Associação de Atletismo do Algarve, uma das organizadoras do evento? Ou deveríamos optar por “Mini-mamamaratona” ou mesmo “Minimamamaratona”?
Aplicando ao elemento de formação de palavras mini- as regras de hifenização, o AO90 determina que, salvo alguns casos especiais, só há hífen quando o segundo elemento começa por h ou pela mesma letra com que termina o prefixo.
Concluímos que a grafia correta seria… Minimamamaratona.
Andou mal a Associação de Atletismo do Algarve, sobretudo porque, neste caso, o AO manteve as regras que aplicávamos com o Formulário Ortográfico de 1943 (Brasil) e com o Acordo Ortográfico de 1945 (Portugal).
Mais importante do que a falha linguística é o evento ter sido um sucesso!

Abraço.
AP
Imagem encontrada AQUI.

sábado, 27 de setembro de 2014

.anti-nódoas ou antinódoas?

O "replente" até dói! Quanto ao "anti-nódoas", vamos ver...
 
É frequente encontrarmos oscilações, sobretudo nos anúncios de detergentes, entre as grafias “anti-nódoas” e “antinódoas”.
Como veremos no quadro seguinte, as dúvidas na aplicação das regras do hífen no caso de hoje nada têm a ver com o AO90. Trata-se de um desconhecimento que vem de longe…
 
QUANDO COLOCAMOS HÍFEN A SEGUIR A ANTI?
FO43 (BRASIL)
AO45 (PORTUGAL)
AO90 (PORT e BRAS)
Regra:
Hífen antes h, r, s.
Regra:
Hífen antes h, i, r, s.
Regra:
Hífen antes h ou i.
Escrevíamos:
ANTINÓDOAS
Escrevíamos:
ANTINÓDOAS
Escrevemos:
ANTINÓDOAS
Abraço.
AP
Imagem encontrada AQUI.


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

salva-vidas, salva vidas OU salvavidas?


Neste caso, o AO90 nada altera em relação às regras anteriormente em vigor e determina, na Base XV, nº 1:
Emprega-se o hífen nas palavras compostas por justaposição que não contêm formas de ligação e cujos elementos, de natureza nominal, adjetival, numeral ou verbal, constituem uma unidade sintagmática e semântica e mantêm acento próprio, podendo dar-se o caso de o primeiro elemento estar reduzido: ano-luz, arcebispo-bispo, arco-íris, decreto-lei (..); conta-gotas, finca-pé, guarda-chuva.

Conclusão:
Sendo um composto verbo+nome com unidade de sentido (como conta-gotas, finca-pé e guarda-chuva), continuamos a escrever… salva-vidas!

Nota:
HÍFEN SIM!
HÍFEN NÃO!
O salva-vidas é um herói, pois
                   nome
salva vidas todos os verões!
verbo + complemento
              Usemos o colete salva-vidas!
                                      adjetivo
 

Abraço.
AP
Imagem encontrada AQUI.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Especialistas brasileiros defendem Acordo Ortográfico


A implantação do Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa (AO) foi defendida hoje por um académico, um historiador e um linguista brasileiros, que rejeitaram o projeto de simplificação do idioma, analisado pelo Senado brasileiro, durante um debate em São Paulo.


O debate ocorreu na 23.ª Bienal Internacional do Livro e contou com a participação do gramaticista e membro da Academia Brasileira de Letras Evanildo Bechara, do linguista e coordenador da comissão brasileira no Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) Carlos Alberto Faraco, e do historiador Jaime Pinsky.

Faraco criticou o adiamento do prazo para a obrigatoriedade de alicação do AO no Brasil, de janeiro de 2013 para janeiro de 2016, e defendeu a integridade do documento, ou seja, que o acordo não sofra alterações.
O projeto de simplificação do idioma tem sido defendido por linguistas brasileiros, liderados por Ernani Pimentel, e está em análise na Comissão de Educação do Senado brasileiro.
A proposta, que já foi apresentada em Portugal e em África, prevê a adoção de uma nova ortografia que suprima, por exemplo, a letra "H" não pronunciada e mude as atuais regras de uso do "g" e do "j".
"O que se propõe é vandalismo ortográfico", afirmou Faraco. "Não há fundamentação técnica ou razão social, cultural e económica para mexer numa ortografia estabilizada", afirmou Faraco, para quem a escrita fonética (aquela que segue o som das palavras) seria um "descalabro" e o "fim da ortografia".
O historiador Jaime Pinsky citou um artigo que escreveu para o jornal Correio Brasiliense, em maio. No texto, problematiza a questão dos sotaques regionais que, no caso de uma escrita fonética, causaria confusão na grafia das palavras - o mês de abril, por exemplo, é pronunciado "abriu" ou até "abrir" em diferentes localidades brasileiras.
"É ridícula a ideia de escrever como se fala. A língua tem fatores de caráter históricos, que não podem ser desconsiderados", disse.
O académico Evanildo Bechara lembrou que a opção por uma escrita fonética em português já foi rejeitada no século XIX, quando foi proposta, e realçou que a língua tem princípios culturais e sociais. "Há de se trabalhar para que a coletividade escreva [o português] de uma maneira única, mas quem deve propor [as regras] são os técnicos, as academias e as universidades", afirmou.
Bechara disse também que não concorda com todas as regras do AO, e que ele necessita de algumas adaptações, mas que serão feitas com o tempo.
Faraco usou como exemplo a falta de padronização para as palavras provenientes do idioma banto, em África, mas que essas questões poderão ser resolvidas localmente, como fez Moçambique ao incluir vocabulário dessa língua, nas normas ortográficas.
O Acordo Ortográfico começou a ser negociado em 1975, foi assinado em 1990 pelos oito países de língua oficial portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste) e ratificado por seis deles, com exceção de Angola e Moçambique.
Data: 27/08/2014
 
Comentário:
Como Bechara, não concordo com todas as regras do AO (como a que regula o uso de maiúsculas e minúscula nos pontos cardeais) e também acho que ele necessita de algumas adaptações (como em certos pormenores na hifenização que Portugal e Brasil estão a aplicar de forma divergente).
 

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Luís de Camões seria a favor ou contra o AO90?


Sendo Camões considerado um renovador da língua portuguesa, poderíamos esperar abertura às mudanças na língua portuguesa. No entanto, o poema que passo a transcrever indicia que o poeta teria sido contra todas as reformas: a de 1911, a de 1945 (1943 no Brasil) e o AO90.

Confira:

Sam taes os dões na Lingua Portugueza,
Tam forte, femenil, e tam fermosa,
Como erão na latina. Tal belleza,
Despois na nossa posta, é mais famosa.
Mas a patria christã da-me a certeza
D'hua sentença fea e desditosa:
Se eu vivera outra vez, morrera à míngua,
Pois ja ninguém entende a minha língua.

Forão sutis mudanças a mudalla,
A pouco e pouco sempre em crecimento,
Que ja eu nam consigo bem uzalla
Porque foi mui disforme tal augmento.
Mas inda assi nam deixarei de amalla
Que a lingua tão bem é um sintimento.
E por tanto da lingua estar ja morto,
Eu sinto, por ser morto, algum conforto.
                                                                Luís Vaz de Camões

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

super Lua, super-lua ou superlua?

Em Azeitão, a Lua assumiu a forma de queijo... amanteigado!

Nos últimos dias, houve grafias para todos os gostos:
1.
As imagens da Super Lua pelo mundo
 
Revista VISÃO
2.
Veja agora a 'Super-Lua' em 30 segundos
Jornal CORREIO DA MANHÃ
3.
Dicas para fotografar a superlua de domingo
Sítio da RÁDIO RENASCENÇA

Quem tem razão?
Consultemos a Infopédia:
a) Na única entrada com super-, diz-se que é um elemento de formação de palavras, ou seja, não é uma palavra com vida autónoma;
b) Na entrada súper, há três sentidos:
-como advérbio, na linguagem coloquial, a significar “muito, bastante”;
-como adjetivo, designando a gasolina súper (redução de supercarburante);
-como nome, na forma reduzida de supermercado.

Conclui-se que em “Super Lua”, temos um prefixo e não uma palavra com vida própria. Assim sendo, teremos de aplicar as regras de hifenização.
O Formulário de 1943 (Brasil) e o Acordo de 1945 (Portugal) determinam que nos compostos formados com os prefixos hiper, inter e super, só há hífen quando o segundo elemento começa por h ou r.

Estaria legitimada a grafia “superlua”, não fosse um pormenor que faz toda a diferença…
Consagrando o que já era prática corrente, o AO90 diz-nos que o hífen é usado após prefixos e radicais de composição quando a palavra a que se juntam é um estrangeirismo, um nome próprio ou uma sigla: anti-apartheid, anti-Europa, mini-GPS.
O Correio da Manhã acertou quando escreveu super-Lua, pois, neste contexto, Lua é um nome próprio!

CONCLUSÃO:
1943 (Brasil) e 1945 (Portugal)
AO 90 (Portugal e Brasil)
SUPER-LUA
SUPER-LUA

Abraço para todos.
AP
P.s.: Há mais uma super-Lua no próximo dia 9 de setembro.
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